01/11/2018
Rússia volta a importar carne suína e anima agroindústrias
 


Após suspensão que durou quase 11 meses, as autoridades sanitárias da Rússia anunciaram ontem ao ministro da Agricultura Blairo Maggi a retomada das importações de carne bovina e suína do Brasil, sinalizando que, para as agroindústrias catarinenses, o pior da crise devido à falta de mercado externo está passando. Foram autorizadas a exportar imediatamente nove plantas frigoríficas do país, das quais uma é da Aurora Alimentos, cooperativa de Chapecó, por meio da unidade de Sarandi, RS. As projeções são de venda de 20 mil toneladas este ano aos russos, somando um total de 640 mil toneladas de exportações para todos os mercados lá fora.

Apesar da reabertura cautelosa da Rússia, os produtores catarinenses ficaram animados porque logo os russos podem reabrir compras de outras plantas pelo fato de o mercado mundial estar mais comprador. As razões para essa maior demanda, segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Fantin, é a grande abrangência da peste suína africana na China e na Europa, que tem gerado elevadas perdas na produção e, consequentemente, mais importações de mercados sem problemas sanitários como o do Brasil. A Rússia, por exemplo, já registra inflação devido à alta das carnes, por isso a pressa nas compras do Brasil.

— É possível remover as restrições impostas a todas as empresas exportadoras, levando em conta a análise das medidas adotadas pelo Brasil e as garantias fornecidas pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do ministério sobre o cumprimento das condições de produção e vendas de produtos de empresas brasileiras – diz o comunicado oficial do Serviço Sanitário Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária (Rosselkhoznadzor) da Rússia, lembrando que a razão da suspensão, no início de dezembro de 2017, foi a identificação, em um embarque, da substância melhoradora de peso ractopamina, que é proibida pelos russos.

As plantas aprovadas foram autorizadas a iniciar negócios logo porque não praticam a produção segregada na mesma unidade, ou seja, com e sem o melhorador de peso. A liberação de outras unidades demora mais porque é preciso adequar a produção.

— Para um setor que vinha sofrendo, um dos mais importantes mercados do Brasil reabriu e está reconstituindo o fluxo de comércio. Temos produção estabilizada e aumentamos alternativas. Quem não foi habilitado para Rússia terá mais oportunidades para vender à China e, agora, no final do ano, também melhoram as vendas no mercado interno – explica Fantin.

Segundo ele, a compensação no mercado global de proteína animal é significativa. Ele avalia que, se a Rússia não tivesse fechado se mercado, estaria comprando 40% de toda a exportação de suínos do Brasil, que soma cerca de 700 mil toneladas no ano. Mas considerando volume, o país perdeu apenas 12% do mercado porque 28% foram recolocados em outros países, especialmente na China. Vale destacar que Santa Catarina responde por 40% das exportações de suíno do Brasil e ainda enfrenta resultado negativo. De janeiro a setembro, o salto das exportações de carne suína é negativo em 12,2% e o de carne de frango, tem queda de 0,8%.

Fonte: Diário Catarinense/ Foto: Sirli Freitas
 
 
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