20/06/2019
Operação Chabu: confira detalhes dos vazamentos investigados pela PF
 


A Operação Chabu, que resultou no cumprimento de 30 mandados na terça-feira, apura suspeitas de vazamentos de informações sobre, pelo menos, sete outras operações da Polícia Federal (PF). Segundo a investigação, o grupo seria composto por um empresário e servidores da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. São suspeitos de repassar dados sigilosos de apurações ainda em andamento da PF a integrantes de um núcleo político. Em troca, conforme a PF, haveria a ocupação de cargos públicos. Em negociações com a iniciativa privada, o grupo ainda é suspeito de receber vantagens financeiras, de acordo com a investigação.

A reportagem teve acesso à decisão do desembargador Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF4), que embasou os pedidos de prisão temporária. Os documentos apontam o empresário José Augusto Alves como o epicentro da investigação. Segundo a PF, ele receberia informações sigilosas de operações do delegado da PF, Fernando Amaro de Moraes Caieron, e repassaria a políticos.Apenas Alves permanece detido. Caieron saiu na noite desta quarta à noite. Os outros cinco, incluindo o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, foram liberados na terça-feira, após prestarem depoimento.

Conforme a investigação, em duas ocasiões, José Augusto teria se apresentado como representante de uma empresa chamada Suntech a agentes políticos. A primeira delas foi a que deu origem à investigação da Operação Chabu e ocorreu em maio de 2016. Na ocasião, segundo a investigação, dois assessores do então presidente da Assembleia Legislativa (Alesc), Gelson Merisio (sem partido), procuraram a Polícia Federal para denunciar uma dessas abordagens. Conforme eles, José Augusto teria oferecido informações sigilosas de operações policiais em andamento e equipamentos para interceptações telefônicas. Ainda segundo resumo do desembargador, o representante da empresa teria apresentado alvos de operações não deflagradas, incluindo uma fase da Lava-Jato e a Operação Patrola.Abordagem semelhante José Augusto teria feito nove meses depois, em fevereiro de 2017, desta vez no gabinete do presidente do então presidente da Câmara de Vereadores de Florianópolis, Gui Pereira (MDB). Em depoimento, o vereador teria dito que foram oferecidos telefones criptografados e que o nome dele seria alvo de outra operação relacionada a tráfico de drogas. José Augusto teria ainda mostrado conversas de Whatsapp com o delegado da PF Fernando Caieron, diz a PF.

Fonte: NSC Total: Foto: Gabriel Lain, Diário Catarinense
 
 
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